segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

M A R T A – A MELHOR DO MUNDO

M A R T A – A MELHOR DO MUNDO .

M – ulher macho, sim senhor. No bom sentido. Significando corajosa, lutadora, raçuda, a que corre atrás de seus ideais. Paraíba masculina mulher macho, sim senhor diz o cancioneiro popular, mas a moça da qual falamos não é natural do estado da Paraíba. Ela é de Alagoas, o estado conhecido como terra de cabra macho. Para jogar bola naquele ambiente que lhe era hostil, enfrentou muita oposição, tanto dos grandes quanto dos pequenos. Apesar disso não se intimidou. Queria ser jogadora profissional de futebol e alcançou seu objetivo. Quando começou, talvez não sonhasse ser eleita a melhor jogadora de futebol do mundo. Certa feita foi eleita a terceira melhor jogadora. Não se abateu. Nessa oportunidade deve ter vislumbrado a possibilidade de atingir o topo. Continuou se esforçando e, no ano seguinte, elegeram-na a segunda melhor. Afirmou então, que naquele passo, no ano seguinte, seria a primeira da lista. Acertou em cheio. Golaço! Gol de placa! Gol de craque!

A – grande lição que podemos tirar do episódio é a da confiança em si própria, da perseverança na luta para alcançar seus ideais e, sobretudo a de se ter ideal na vida, de se estabelecer uma meta e lutar para chegar lá. Mesmo que se lute contra tudo e contra todos A dela era jogar futebol. Menina, fugia da escola para praticar seu esporte preferido. Procedimento igual a de inúmeros meninos nesse nosso imenso Brasil. Alguns se destacaram no esporte, tornaram-se verdadeiros ídolos. Poucos ganharam dinheiro e o mantiveram, outros desperdiçaram-no e morreram na miséria. Muitos, no ocaso da carreira, passam necessidades.

R – ecordo-me de meus tempos de pelada. Quando alguma menina ousasse querer jogar bola, nós a repelíamos aos berros gritando que futebol é pra homem! Nos meus dias de menino era simplesmente impensável mulher jogar futebol. Mais tarde, já rapaz, visitei meu pai em Antonina/PR. Os meninos costumavam jogar bola em terreno baldio que havia em frente à casa onde ele residia. A convite de meu irmão, certa tarde, fui assistir ao jogo que ali se desenrolava. Para minha grande surpresa havia uma menina jogando em um dos times. A danada jogava bem! Era o craque do time. E como brigava! Batia com vontade. O apelido dela era Maria Macho mas, se ela ouvisse algum atrevido chamá-la pelo apodo, não conversava. Partia firme para cima do desavisado garoto. Apanhava às vezes e batia em outras. Não fugia do pau. Como lhes disse, a pequena brigava bem. Não sei em qual das duas atividades ela se saia melhor: na briga ou na bola. Jamais saberei. Pelo que me lembro ela era ótima nas duas.

T – ambém assisti a uma partida de futebol feminino na cidade onde eu residia. Faz tempo isso! Alguns figurões da cidade, não me lembro porque motivo, resolveram patrocinar a novidade e levaram duas equipes de futebol feminino de outras cidades para se exibirem na nossa. Foi um acontecimento! Havia uma loirinha, a qual jogava na ponta direita, que era craque. Driblava, chutava com os dois pés e corria muito. Com a bola dominada corria pela lateral do campo até a linha de fundo, pela orla do gramado como narrava o Jorge Cury da Rádio Nacional, e cruzava a pelota sobre a pequena área. Foi a sensação da tarde. A torcida passou a chamá-la de Pelézinha. Isso foi no inicio da década de 60, quando o menino Pelé começou a se destacar no mundo futebolístico e ficou conhecido como o Rei Pelé. Jorge Cury, reconhecido como o locutor de todas as Copas faleceu há muitos anos. Sua Majestade já parou de jogar. A função de ponta direita desapareceu há muito tempo. Puxa! Como estou quase velho!... Hoje o futebol deixou de ser esporte pra homem e nele as mulheres também se destacam.

A – contece que essa é a marcha natural das coisas. No Brasil é maior o número de mulheres do que o de homens segundo dados estatísticos do IBGE. Elas estão em todos os lugares: política, ciências, arte, literatura, forças armadas, policias militares e civis, corpo de bombeiros, fábricas, funcionalismo público, comércio, indústria, lavoura. Dirigem ônibus, caminhões, táxis, pilotam aviões, combatem nas guerras. A presença feminina nas escolas é bem maior do que a masculina. Como elas são maioria, não é de admirar que tenham, também, invadido o reduto futebolístico. Afinal, estamos no chamado país do futebol. Uma das poucas exceções é no meio batista onde impera a batistice de se impedir que as mulheres assumam a liderança espiritual das igrejas. Logo, logo, essa mentalidade se desfará em pó. Quem viver verá. Talvez eu não tenha esse privilégio mas é questão de tempo. Soube que há uma ou duas exceções. Igrejas que consagraram mulheres ao pastorado e, por isso, foram desligadas das convenções estaduais a que pertenciam. Um dia elas, as pastoras dessas igrejas, serão conhecidas como as MARTAS da Denominação.Quem sabe as mulheres, com o dom natural que Deus lhes deu de gerirem suas casas, dirigirem seus lares e educarem seus filhos, possam gerir melhor o patrimônio denominacional, que se nos está escapando pelos vãos dos dedos.

Rio/rj, 22.12.06

Rui Xavier Assunção

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